08/03/2008

COISA SÉRIA

A que ponto chegamos?



Geralmente eu só “navego” pelas notícias que envolvem o município de Pedra Lavrada-PB. Normalmente, não costumo me expressar pelo Orkut ou outro site de relacionamento. Como a internet é hoje o melhor meio para disseminar idéias, e os habitantes de nossa cidade tem acesso a ela, resolvi me expor um pouco e fazer um breve “comentário-desabafo” sobre a entrevista concedida ao site de notícias www.pedralavrada.com pelo Sr. Manoel Rodrigues de Lima.
O portal pedralavrada.com cumpre muito bem o papel de informar, questionar e repercutir os assuntos que mais interessam à comunidade lavradense. Dessa forma, entrevistou o atual prefeito Tota Guedes, o pré-candidato Santiago Andrade Vasconcelos e por último o Sr. Manoel Júlio. Nada demais se não fosse a postura adotada pelo Sr. Manoel Rodrigues na reportagem.
Não que tenha baixado o nível da linguagem. Mas, o que assusta é o tom terrivelmente “conciliatório” da fala do Sr. Manoel.
Quem viu a política de Pedra Lavrada dos anos 1980 para cá, não viu outra coisa senão ofensas verbais, brigas, processos judiciais e toda sorte de enfrentamentos, nada elogiáveis, proferidos pelos grupos políticos de Manoel Júlio e o de Sebastião Vasconcelos. - Evidentemente um em desfavor do outro. – Isso para não falar da última campanha eleitoral para prefeito de nossa cidade. Pois bem, depois desse breve histórico, para reacender a memória dos mais desavisados, vamos aos fatos da bendita entrevista:
1º - O Sr. Manoel Júlio fala que foi sondado para compor chapa com Tota Guedes, Santiago Andrade e até o ex-prefeito Tinan (até aqui tudo bem).
2º - Que teve um almoço num bom restaurante de Campina Grande e que o ex-prefeito Tinan teria dito que “todos os problemas e as divergências que tínhamos eram coisa do passado, o que passou, passou...”
- Êpa!
- Pára tudo!
- Isso mesmo senhoras e senhores: os políticos de Pedra Lavrada de maior rivalidade (para ser suave na expressão) estavam regozijando-se com um churrasco, juntos e em Campina Grande. A partir desse instante, redescobriram-se como amigos de infância.
Lindo isso, não?
Manoel Rodrigues de Lima e Sebastião Vasconcelos Porto estão felizes e juntos.
E o perdão habita, verdadeiramente, os corações dessas almas puras.
Não sei se eu rio ou se vomito. As coisas que todos nós de Pedra Lavrada já vimos e ouvimos dessas duas pessoas. Um falando sobre o outro, um processando o outro, um denunciando o outro pelos mais diversos motivos...
Não estou aqui para dizer que eles estão certos ou errados. Nada disso. Vivemos em um país democrático onde todos podem fazer o que bem entender dentro dos limites da lei.
Todavia, tem atos e posturas que estão acima de qualquer coisa. A moral, a ética e principalmente a vergonha na cara, devem ser os princípios norteadores das condutas de todo cidadão e cidadã de bem. Onde é que você, caro leitor, iria ser ofendido por três décadas, como esses dois o fizeram reciprocamente e, por uma circunstância eleitoreira barata, iria passar por cima de todos os seus brios, sua honra, seu caráter e dignidade?
Não quero dizer com isso, que eles não possam coligar-se.
- Que o façam!
***
Outro ponto importante a ser observado, é a postura dúbia do Sr. Manoel Júlio. Ora poderá compor com o atual prefeito (Tota), ora com o ex-prefeito (Tinan) ora com o PT (Santiago). Afinal de contas quais são seus parâmetros políticos? O que o guia? - Ninguém pode ser tão “flexível” assim!
- Ou pode?
- Posso perguntar o que ele será quando crescer?
***

Em um dado momento o Sr. Júlio se refere a Santiago como príncipe.
– Como assim, príncipe?
A monarquia no Brasil foi abaixo em 15 de novembro de 1889, ou não?
Temos no Brasil vereador, prefeito, deputados estadual e federal, governador, senador e presidente. Nada de príncipes ou reis. Atrevo-me a dizer que, o próprio Santiago não gostaria de ser chamado de príncipe ou coisa que o valha. Pois o mesmo é dado ao embate democrático. Não à herança política que a postura e condição principesca se auto-impõe.
Por alguns instantes se tem a impressão, na dita entrevista, que o Sr. Manoel Julio está fazendo um “leilão” de oportunidades. Ou seja, quem mais oferecer condições políticas será o escolhido.
E a pergunta que não quer calar: - Os eleitores, sim os eleitores, como ficam? A entrevista é conduzida de forma a pensar que o que vai prevalecer é a vontade dos líderes.
- Esqueceram que teremos uma eleição?
- Ou não teremos mais?
– Foi cancelada?
– Ah! É que eu não sabia...
Veja só a que ponto chegamos em Pedra Lavrada: a oposição não é o novo e nem o contraditório, é o velho!
Dessa forma, vamos levar nossa cidade ao retrocesso se caminharmos para traz. O futuro se apresenta para todo o mundo. Infelizmente Pedra Lavrada não abre caminho para o novo. Que opção teremos se a política baseada nas idéias, na qualidade do serviço público, no
respeito aos cidadãos e cidadãs não é levada em conta? Valem mais acordos de bastidores, onde a vontade da população é relegada simplesmente ao ato de referendar bate-papos de churrascarias. Está faltando opção, está faltando o diferente, está faltando o novo, estão faltando pessoas com sonhos e vontade de administrar para todos e todas.
Uma pergunta ao prefeito Tota Guedes:
- Depois de tudo isso, você ainda aceitaria ou precisaria da companhia “dele(s)” no seu palanque?
Uma pergunta à Santiago:
- Você concorda com a postura dos dois caciques?
Tomara que não. Pois se for assim, terei que parafrasear Renato Russo e pensar que será “MAIS DO MESMO”.

P.S. Espero que nunca me convidem para um churrasco desses. É que eu não costumo almoçar carne humana...

Por Roberto Solon de Vasconcelos. Um latino-americano, sem dinheiro no bolso e sem parentes “importantes”.